Trump ameaça cortar financiamento aos palestinianos

Trump ameaça cortar financiamento aos palestinianos

Jerusalém é a capital eterna do Estado da Palestina e não está à venda em troca de ouro ou de milhões, afirmou à AFP Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência palestina. O presidente Trump sabotou a nossa busca pela paz, liberdade e justiça. "E agora atreve-se a culpar os palestinianos pelas consequências das suas próprias ações irresponsáveis".

- Não cederemos à chantagem - disse Hanan Ashrawi, membro do comitê executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP). "Os direitos palestinianos não estão à venda".

Nesta terça-feira (2) o parlamento israelense aprovou um projeto de lei que impede a divisão de Jerusalém, cidade que tem a região oriental reivindicada pelos palestinos que desejam criar um estado e colocar parte da cidade como sua capital.

"Não é só ao Paquistão que pagamos biliões de dólares para nada, mas também a muitos outros países, e mais".

"Pagamos aos palestinos centenas de milhões de dólares todo ano e não recebemos qualquer reconhecimento ou respeito", disse Trump em sua conta no Twitter. Eles nem sequer querem negociar um há muito esperado tratado de paz com Israel. Nós tiramos Jerusalém, a parte mais dura da negociação, da mesa de diálogo, mas Israel, por isso, teria que pagar mais.

"Com os palestinianos sem qualquer vontade de falar de paz, por que lhes deveremos fazer qualquer um destes massivos pagamentos futuros?", questionou.

Para os palestinos, a decisão significou uma declaração do apoio americano a Israel numa das questões mãos delicadas do conflito.

Na altura, Trump indicou que não especificava as fronteiras da soberania israelita na cidade e pediu que não se modificasse o 'status quo' dos locais sagrados de Jerusalém.

Em reação ao anúncio de Donald Trump, o Presidente da ANP, Mahmud Abbas, afirmou que Washington não pode atuar como mediador do processo de paz e suspendeu os contactos com representantes norte-americanos.

A decisão sobre Jerusalém continua a ser contestada pela maioria da comunidade internacional.

Os Estados Unidos são os principais doadores da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, que apoia 5 milhões de pessoas.

Até esse momento, os EUA eram os que mais contribuíam para a agência da ONU - mais de 300 milhões de euros em 2016.

A medida do presidente dos EUA foi condenada por mais de 120 países por meio de resolução na ONU.

Esse subsídio é vital para a Autoridade Palestina, cujo orçamento é em grande parte dependente da ajuda internacional. "Não vamos ajudar, vamos garantir que eles voltam à mesa".