Sérgio Cabral diz que anel foi 'presente de puxa-saco'

Sérgio Cabral diz que anel foi 'presente de puxa-saco'

Quando perguntado sobre o anel no valor de R$ 800 mil, que o empresário Fernando Cavedish deu à ex-primeira dama do Rio, Cabral disse que o objeto foi devolvido logo em seguida.

"Presente de puxa-saco, querendo me agradar, dando um presente para a minha mulher". Um empreiteiro encalacrado, um réu, que lavou mais de R$ 300 milhões. Cabral também declarou que o empresário mentiu no depoimento da segunda-feira ao dizer que o objeto foi um "anel de compromisso" com o ex-governador.

Segundo o ex-governador, a obra do Maracanã foi bem-sucedida e o estádio, diferentemente de outros projetos que resultaram em elefantes brancos, tem sido bastante utilizado. Ele negou ter participado de esquemas para direcionamento de licitações e afirmou não ter recebido qualquer tipo de propina relacionada à reforma do estádio do Maracanã e às obras do PAC das Favelas e do Arco Metropolitano. Ele, que está preso e é acusado de cobrar uma "taxa de oxigênio" das empresas que participavam de obras no Rio disse que nunca assinou ou tomou a iniciativa de ir contra alguma recomendação técnica ou jurídica. E que foi Pezão inclusive quem indicou o seu sucessor na pasta, Hudson Braga. Pezão não foi denunciado nas investigações dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Cabral chamou de "surreal" a acusação de que teria facilitado a entrada da Delta na licitação em troca do anel.

Ele disse que não teve participação na nomeação dos membros da comissão de licitação, que deu autonomia ao então secretário de Obras, o hoje governador Luiz Fernando Pezão, para que montasse sua equipe na secretaria. "Infelizmente esse governo atual foi incapaz de manter o Teleférico do Alemão funcionando. Saí em abril de 2014 e deixei dinheiro no caixa", afirmou.

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise econômica, atrasando salários de servidores e realizando cortes em obras e ações sociais. "Eu realizo. Realizei. Não pedi propina para nenhum construtor, nenhuma prestadora de serviços", discursou o político até Bretas lembrar que o julgamento não era sobre os feitos dele no antigo cargo.

O governo do Rio de Janeiro informou que não irá comentar as críticas de Cabral.