Professores e entidades de ensino criticam ação da PF na UFMG

Professores e entidades de ensino criticam ação da PF na UFMG

A Polícia Federal de Minas Gerais deflagrou na manhã de hoje a operação "Esperança Equilibrista", que investiga um suposto desvio de recursos destinados à construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Idealizada em 2008, a fim de preservar e difundir a memória política dos períodos de repressão, a obra seria feita a partir da reforma do Coleginho, localizado no bairro de Santo Antônio, em Belo Horizonte. Foram cumpridos oito mandados judiciais de condução coercitiva e 11 de busca e apreensão.

Em janeiro do ano passado, ainda sob o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o BNDES anunciou a aprovação de R$ 10 milhões para a criação do memorial - um projeto conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "A UFMG sempre se mostrou contra a privatização das universidades federais. Os desvios até agora identificados teriam ocorrido por meio de pagamentos a fornecedores sem relação com o escopo do projeto e de bolsas de estágio e de extensão", informou em nota.

Segundo a decisão, 'há indícios de que o atual Reitor, Jaime Arturo Ramirez, e a Vice-Reitora, Sandra Regina, tenham autorizado a exposição cientes das irregularidades'. O local teria ainda dois prédios anexos e uma praça de convivência.

Ainda segundo as investigações, os quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos realizados pela Fundep, contratada para realizar as pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração que o memorial abrigará.

Batizada de "Esperança Equilibrista", a operação conta com 84 policiais federais e 15 auditores da Controladoria-Geral da União (CGU).

A presidente da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, classificou a operação como "espetáculo" e afirmou que a mídia cobre essas ações sem questionar nem ponderar sobre o que a polícia está fazendo com as universidades públicas e com a sociedade.

Segundo a PF, o nome da operação faz referência a um trecho da música "O Bêbado e a Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc.

A UFMG e a Fundep disseram que vão se manifestar em momento oportuno. "Dada a transparência com que lida com as questões de natureza institucional, a UFMG torna público que contribuirá, como é sua tradição, para a correta, rápida e efetiva apuração do caso específico", acrescenta o texto. A Fundep prestou informações e disponibilizou documentações requeridas pela Operação.