"Silval está construindo um castelo para sobreviver fora da cadeia", diz Éder

A delação premiada de Silval foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (9). "Depois disso eu fui proibido de entrar em contato com os investigados na Ararath e com o ex-governador Blairo", complementou. Como o Blairo saiu em 2010 para disputar o Senado e a vaga não surgiu, nada aconteceu.

A defesa do ex-secretário estadual de Fazenda, Casa Civil e ex-Secopa, Eder Moraes, encaminhou nota à imprensa neste sábado negando que tenha recebido qualquer valor para mudar depoimento e ainda critica a delação premiada do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB), que segundo Moraes, hoje em dia vem sendo usada "como um instrumento de vingança".

Como a Folha de S.Paulo revelou na semana passada, Barbosa (PMDB) relatou que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), participou da montagem de um esquema para liberar dinheiro de precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais) estaduais em troca do apoio de parlamentares do Estado. Em seguida, teria cobrado R$ 12 milhões para mudar o conteúdo das declarações. De acordo com Silval, na mala, Bezerra recebeu R$ 4 milhões também em espécie. "Então não tem o que se falar de compra de vagas", diz Eder. "Ele deve estar tentando construir um castelo para sobreviver fora da cadeia", afirmou. Segundo o ex-secretário, Zaque teria dito que só aceitaria o depoimento caso pudesse, o próprio magistrado, indicar um advogado. De acordo com o Jornal Nacional, Silval delatou uma suposta compra do ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Éder Moraes.

Já em janeiro de 2015 - depois dos pagamentos relatados na delação - Eder deu uma entrevista à TV Globo em Mato Grosso e disse que havia mentido no depoimento anterior.

O ex-governador também relatou fatos envolvendo pelo menos três deputados federais com mandatos em curso, cujos nomes a reportagem não identificou, além de repasses a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. Inicialmente os investigadores solicitaram o valor de R$ 150 milhões.

Um dos motivos da manutenção do sigilo é porque os conteúdos trazidos por Silval Barbosa poderão motivar novas operações da Polícia Federal no âmbito de investigações existentes ou eventualmente originadas a partir da delação do ex-governador. "Então todo esse contexto fez com que eu ali colocasse algumas palavras que eu depois me retratei sobre todas elas", disse na época.